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Um novo jeito de seguir a vida

Nesse #OutubroRosa, a economista Patrícia Palermo compartilha a importância do carinho pra transformar a sua vida.

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O câncer não é algo que esperamos aparecer. Ninguém deixa um cantinho na vida esperando para lidar com isso. Mas pode acontecer com qualquer um. Não há distinção de raça, religião, idade ou gênero.

E foi exatamente isso que aconteceu com a economista Patrícia Palermo. Além de enfrentar tudo e todos para se destacar como mulher no ambiente profissional, o câncer de mama surgiu para pôr em prova ainda mais a força que existia dentro de si.

"Sempre cuidei muito dos outros e pouco de mim. Se via algo estranho, dava uma esperadinha porque ia passar. Diferente da minha filha, que tosse e eu já quase levo pro médico", Patrícia nos conta.

"Quando você se olha todos os dias, as mudanças são tão pequenas que vai se adaptando. É como perguntar o quanto o seu cabelo cresceu de ontem pra hoje."

Somente após notar algumas alterações no corpo foi que ela procurou uma médica, mesmo achando que não seria nada demais. O diagnóstico veio numa segunda-feira. Na quinta, já estava na mesa de cirurgia.

Patrícia optou por não fazer implante ou tatuagem após as operações. As cicatrizes não são um incômodo, "faço até piada", diz ela.

Veio a rotina de quimioterapia e radioterapia, que realmente mexeram com a autoestima. "Quando perdi meus cabelos, foi o pior dos mundos. Porque a quimio faz uma coisa que é muito complicada: ela te expõe demais. Se eu quisesse não ter contado que fiquei doente, fazendo um tratamento eu posso escolher. Mas a quimio tira essa escolha."

Foram 12 semanas consecutivas de quimioterapia, tendo seu marido e sua filha sempre ao seu lado. "É muito fácil ser casado com alguém que usa salto alto, que tá sempre arrumada, que é independente financeiramente e tudo o mais. Mas é muito difícil ficar do lado de alguém que às vezes tá tão fraca que precisa de ajuda pra levantar da cama."

"A gente precisa se olhar. Se achar algo, tratar. Porque é chance de viver."

O carinho sempre existiu no trabalho e nas aulas que leciona. Não parou nenhum dia de trabalhar e, às vezes, dava aulas à noite usando máscara.

"Tu vê as pessoas te enxergando, tu vê a compaixão. O câncer não é uma sentença de morte. É uma lembrança de que a vida é frágil. E de que a gente tem que cuidar dela." No meio do nosso bate-papo, Patrícia compartilha uma história emocionante com a gente:

"Em uma faculdade que dou aula, tem uma escadaria que fica muito grande quando você tá debilitada. Teve um dia que cheguei de máscara, sem cabelo, muito cansada. Quando olhei aquela escadaria, pensei que não conseguiria subir. Mas pensei: 'eu tenho que subir. Porque se eu não subir, esse troço tá me ganhando'. O câncer é isso, é uma batalha contra ele.

"Pedi 'Deus, me ajude a subir isso aqui'. Nessa hora, surgiu um aluno e me deu o braço. Ele sempre dizia que eu era a professora mais bonita da faculdade, sempre um queridão. Ele me deu o braço e disse 'hoje eu vou ajudar a professora mais bonita da faculdade pra dar aula pra alguém do jeito que ela deu pra mim. É meu dia de ajudar ela como ela me ajudou'."

Hoje, Patrícia continua tocando sua vida profissional como professora e economista, já tendo sido eleita a economista do ano pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul.

"Se a gente não colocar a vida da gente em primeiro lugar, todas as outras coisas não vão poder acontecer."